Tendências no Mercado Imobiliário 2026: tendências no setor para o próximo ano

Tendências no Mercado Imobiliário 2026: tendências no setor para o próximo ano

04/12/2025
Tempo de Leitura : 9 minutos

2025 tá chegando ao fim e com ele começam as especulações sobre quais são as tendências para mercado imobiliário em 2026.

Que a SELIC está alta e isso impacta o mercado de imóveis, você já sabe. Mas o que vai impactar os lançamentos imobiliários? Como vão se comportar os investidores? Quais os produtos mais buscados? Como ficam as políticas de crédito, tanto para clientes quanto para incorporadoras?

Para descobrir isso e muito mais, confira o artigo completo que preparamos para você. 

Balanço do Mercado Imobiliário 2025

    Antes de começarmos a falar de 2026, precisamos entender como termina o ano de 2025.

    Apesar dos desafios relacionados à Selic elevada, que pressionou o custo de capital para as incorporadoras e encareceu o crédito, o mercado imobiliário demonstrou resiliência. 

    O Valor Geral Lançado (VGL) e o Valor Geral Vendido (VGV) tiveram altas expressivas no acumulado de 2025 (crescimento de 22,9% e 13,2%, respectivamente, no VGL e VGV, segundo dados recentes da CBIC).

    A demanda por imóveis segue sustentada pela renda média real em crescimento e pelo mercado de trabalho firme, fatores que garantem a capacidade de consumo e financiamento, mesmo com o crédito restrito.

    Podemos dizer que, pelo menos parte dos desafios do início de 2025 foi solucionada por meio de políticas públicas focadas em crédito. 

    Entretanto, a inadimplência segue sendo uma pedra no sapato das incorporadoras em 2026.

    E as primeiras impressões do Mercado Imobiliário em 2026?

    A desaceleração da inflação e da economia, provocada pelos juros altos, criou o cenário ideal para o início de um novo ciclo de cortes na Selic em 2026. A expectativa de que a taxa chegue a 12% no final de 2026 é o principal vetor para o aquecimento do mercado de vendas.

    Segundo relatórios recentes de entidades do setor, a expectativa é que o PIB da Construção Civil avance 2,1% em 2026, após um crescimento mais moderado em 2025, sinalizando um cenário de retomada gradual e consistente.

    SELIC, Crédito Imobiliário e Financiamentos para incorporadoras

      A instabilidade regulatória e a Selic elevada pressionam o custo de capital das incorporadoras, tornando 2026 um ciclo desafiador para o crédito de produção.

      Tendências para a SELIC: Segundo projeções do mercado, a expectativa do mercado é que o ciclo de queda da Selic se consolide em 2026, atingindo cerca de 12% ao final do ano. Essa queda, ainda que gradual, é crucial, pois a taxa alta (projetada em 15% para o início de 2026) torna muitos empreendimentos inviáveis e aumenta a dificuldade para as incorporadoras estruturarem projetos com retorno financeiro suficiente.

      Acesso a Crédito para Incorporadoras e Estratégias de Funding:

      • Crédito Bancário (Plano Empresário/Crédito Associativo): O alto custo do dinheiro restringe as linhas tradicionais de crédito de produção, como o Plano Empresário. O setor entra no ciclo de 2026 com maior exposição a riscos de endividamento.
      • Securitização e Mercado de Capitais: Incorporadoras precisam buscar alternativas de funding mais eficientes, como por exemplo a securitização de recebíveis via CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários). O mercado de capitais se torna fundamental para garantir o capital de giro e o custeio de obras fora do balanço dos bancos.
      • FIIs como Alternativa de Investidor (e não de Funding): A atratividade dos Fundos concentra-se em atrair o investidor para o mercado (demanda), e não em ser uma linha de crédito direto para a produção.

      Financiamento Habitacional Facilitado, Ampliação do SFH e Análise Aprofundada do MCMV:

      SFH e Classe Média: A liberação de recursos da poupança (via redução do compulsório) e a ampliação do teto do SFH para R$ 2,25 milhões em 2026 são mecanismos que visam liberar o comprador de classe média, que estava sem crédito acessível, impulsionando indiretamente os lançamentos destinados a esse nicho.

      MCMV: A Era de Ouro e o Motor de Crescimento: O Minha Casa Minha Vida (MCMV) segue firme como o principal motor do mercado popular. O programa vive sua “era de ouro”, com:

      Orçamento Recorde: Aprovado um orçamento recorde para 2026, com subsídios ampliados.

      Expansão de Faixa: A inclusão de famílias com renda de até R$ 12 mil mensais (Faixa 4, com taxas de juros competitivas e financiamento de até 35 anos) significa uma expansão inédita para o segmento de médio padrão, impulsionando o setor popular e atingindo a meta de 3 milhões de novas unidades até 2026.

      Investidores no mercado imobiliário 2026

        O investidor em 2026 busca segurança, previsibilidade e planejamento diante das mudanças regulatórias.

        Procura por diversificação para não concentrar rendimentos: O investidor tem buscado estruturas mais sólidas e orientação profissional, saindo do modelo de “produto pronto” e buscando ofertas estruturadas voltadas para um perfil mais conservador.

        Fundos Imobiliários seguem como porta de entrada para o pequeno e médio investidor: Os FIIs continuam atraindo investidores pela isenção de IR para pessoas físicas, pela diversificação e pela liquidez diária, fatores especialmente relevantes em um cenário de juros altos e aversão ao risco.

        Embora o volume de novas emissões varie conforme o ciclo econômico, o interesse pelos fundos permanece elevado, já que eles funcionam como um meio acessível de exposição ao mercado imobiliário sem necessidade de altos aportes.

        Cada vez mais procura por credibilidade somada à rentabilidade: A reputação da incorporadora e a solidez do projeto se tornam fatores-chave, superando a busca por rentabilidade pura.

        Imóveis voltados exclusivamente para locação de curta temporada (Airbnb) perdem força em alguns mercados:Embora ainda existam regiões turísticas com forte desempenho, grandes centros urbanos passaram a impor regulações mais rígidas sobre o uso residencial para hospedagem de curta duração, o que reduziu o apetite de parte dos investidores por produtos focados 100% no modelo Airbnb.

        Além disso, o custo do crédito e a maior busca por previsibilidade têm direcionado o capital para ativos com contratos mais longos e renda mais estável.

        Oportunidades a serem exploradas: O novo “produto de entrada” para investidores passa a ser o studio residencial bem localizado. Oportunidades se abrem na gestão de locação desses imóveis e no reposicionamento do produto.

        Perfil dos imóveis no mercado imobiliário 2026

          O mercado se adapta à nova dinâmica populacional e a busca por moradias mais acessíveis e eficientes.

          A segmentação de demanda é a chave para o sucesso de lançamentos em 2026. O que se valoriza é diferente para cada público, veja a seguir o que as pesquisas feitas pela Brain revelam:

          • Faixa de Baixa Renda (MCMV e até ~R$ 8 mil):

          Segurança e Comunidade: O item playground é altamente valorizado porque, nesta faixa, as famílias com crianças priorizam a segurança e um ambiente controlado para o lazer dos filhos, que muitas vezes não encontram nas áreas urbanas abertas.

          O Condomínio-Clube Social: A busca é por empreendimentos que ofereçam serviços essenciais, lazer infantil e facilidades que substituam a infraestrutura urbana (exemplo: quadra, salão de festas), mas com foco no custo-benefício.

          • Faixa de Alta Renda (Acima de R$ 15 mil):

          Bem-Estar e Exclusividade: A valorização de piscinas e academias reflete a busca por “wellness real estate” — a integração da saúde e do bem-estar à moradia. O lazer é visto como um prolongamento da qualidade de vida, eliminando a necessidade de frequentar clubes externos.

          Serviços Premium: Neste segmento, a valorização não está apenas nas amenidades, mas nos serviços pay-per-use, tecnologia embarcada e exclusividade do projeto (poucas unidades, design diferenciado).

          • Faixa Média (R$ 8 mil a R$ 12 mil – Nova Faixa 4 do MCMV):

          Vetor de Crescimento: O MCMV expandido para a Faixa 4 é o principal alvo das incorporadoras de médio padrão. Eles buscam o melhor dos dois mundos: condições de financiamento do MCMV com a qualidade de acabamento e facilidades de condomínios de faixa mais alta.

          Leia também: Como funciona o novo modelo de crédito imobiliário 2025?

          novo modelo de crédito imobiliário

          Tendências de Produto e Comportamento (Insights Gerais)

          Apartamentos compactos, lofts para atender os mais de 18% dos brasileiros que moram sozinhos – inclusive no segmento de luxo: A tendência de imóveis menores (studios, lofts) se consolida. O segmento de alto padrão também migra para o compacto, com projetos de luxo que priorizam localização e conveniência, garantindo melhor liquidez e conversão de vendas.

          A consolidação do trabalho híbrido exige plantas flexíveis e otimizadas. O apartamento ideal em 2026 precisa ter ambientes reversíveis, com áreas que se adaptam rapidamente a diferentes funções (ex: sala que vira estúdio).

          A migração de grandes capitais para cidades médias e cidades do interior é um movimento consolidado. Isso impulsiona o desenvolvimento sustentável e atrai novos investimentos para polos regionais, como as cidades do interior do Paraná.

          A tecnologia (IA, Realidade Virtual, Blockchain) avança de diferencial para componente padrão. O comprador de 2026 está mais informado, exige simulação de financiamento online, e espera uma jornada de compra transparente e ágil. O corretor passa a atuar como consultor de alto valor.

          Com a aprovação do crédito para reformas em 2025, a tendência é o crescimento na busca para imóveis usados, com valor mais acessível e com foco em retrofit: O mercado de imóveis usados com potencial de retrofit ganha força. Projetos de revitalização de áreas centrais, como já se vê em grandes capitais, demonstram que investir na reforma de edifícios antigos para transformá-los em empreendimentos modernos (lofts e studios) é uma aposta crescente.

          Leia mais: Tokenização no Mercado Imobiliário: a próxima fronteira da gestão de ativos

          Tokenização no mercado imobiliário

          Incorporação e obras

            O grande desafio no mercado imobiliário em 2026 será a adaptação às novas regras tributárias, exigindo planejamento e cautela.

            Inicia o período de transição da Reforma Tributária (IBS e CBS): A transição do PIS/COFINS/IPI/ICMS para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) inicia um período de aprendizado e ajustes nas cadeias produtivas e de serviços. As incorporadoras precisarão se adaptar rapidamente ao novo regime.

            Primeiro ano da Reforma de Lucros e Dividendos – como o mercado vai se comportar? A nova regra de tributação de lucros e dividendos (acima de R$ 50 mil mensais), que entrará em vigor, exigirá uma reestruturação societária e de distribuição de resultados, embora os dividendos apurados até 2025 e aprovados para distribuição até 31/12/2025 permaneçam isentos.

            Isenção de IR até R$ 5.000, terá impacto no consumo? Pode ser uma oportunidade para o mercado imobiliário? A isenção de IRPF anual para quem tiver rendimentos tributáveis de até R$ 60.000 (cerca de R$ 5.000/mês), prevista para o ano-calendário de 2026 (declaração em 2027), representa um aumento na renda disponível para uma parcela significativa da população. Esse ganho pode sim se reverter em maior poder de consumo e, consequentemente, na capacidade de dar entrada ou amortizar financiamentos imobiliários.

            Período de adaptação das incorporadoras com o novo Regime: A transição tributária pode gerar uma pressão de custos nos serviços, embora o PIB da Construção Civil permaneça em alta. O período demandará compliance rigoroso e revisão das estratégias de compra.

            Confira também: Tributação de Dividendos: Como a Reforma da Renda Pode Impactar o Mercado Imobiliário

            tributação de lucros e dividendos

            E o mercado imobiliário do Paraná 2026?

              O Paraná se consolida como um dos mercados mais dinâmicos do Sul, porém, com tendências distintas em seus principais polos regionais:

              • Curitiba e Região Metropolitana: Imóveis Compactos de Luxo/Conveniência e o avanço de Retrofits em áreas centrais.
              • Norte/Noroeste (Londrina e Maringá): Verticalização de Médio/Alto Padrão e forte demanda por Imóveis para Investidores (Giro Rápido), impulsionada pelo mercado universitário e agronegócio.
              • Oeste (Cascavel e Foz do Iguaçu): Expansão Horizontal e Loteamentos de Alto Padrão e o crescimento do Mercado de Férias/Investimento em Foz.

              Tendências Unificadoras:

              1. Tecnologia (Proptechs) e Sustentabilidade: O estado está na vanguarda da adoção de soluções de tecnologia imobiliária e de incorporação de certificações de sustentabilidade em novos lançamentos.
              2. Imóveis “Giro Rápido”: Em Londrina e Maringá, o foco é a liquidez. Isso se traduz no sucesso de empreendimentos com foco em serviços compartilhados (coliving) e unidades menores, que garantem um retorno previsível para o investidor.

              Impacto das Mudanças nas Taxas de Cartório

              Embora a lei que afeta as taxas seja de âmbito nacional, o Paraná tem sido proativo em discutir a eficiência e o custo dos serviços notariais, que são cruciais e representam um custo alto nas transações.

              • O Novo Cenário Tributário e o ITBI/IPTU: a Reforma Tributária deve estimular municípios a revisar suas plantas genéricas de valores e atualizar cadastros imobiliários defasados, o que pode elevar a base de cálculo dos impostos em cidades com forte valorização, como Curitiba e as cidades do Norte (Londrina/Maringá), com maior densidade vertical. Trata-se de uma tendência técnica, não de uma definição oficial.
              • Recomendação de Mitigação: A principal recomendação para o mercado paranaense é antecipar a regularização fundiária de empreendimentos e a documentação dos imóveis usados para mitigar o aumento de custos com ITBI e taxas cartorárias no novo cenário regulatório.

              Para sobreviver em 2026, gestão e governança deixam de ser opcionais

              O mercado está selecionando quem:

              • tem processos internos mínimos,
              • organiza custos, contratos e recebíveis,
              • mantém contabilidade estratégica, 
              • apresenta clareza fiscal e jurídica,
              • sabe conversar com bancos e investidores.

              A nova fronteira do mercado imobiliário não é só tecnologia, crédito barato ou localização privilegiada.

              É estrutura interna. É governança.

              2026 será o ano em que só cresce quem estiver organizado

              O mercado imobiliário continua cheio de oportunidades, mas será seletivo.
              Quem quiser competir em 2026 precisará ter:

              • contabilidade estratégica,
              • governança financeira,
              • processos claros,
              • relatórios confiáveis,
              • viabilidade precisa,
              • compliance sólido.

              Empresas desorganizadas sofrerão travamentos no crédito, perda de investidores e dificuldade em entregar.

              Já aquelas que se estruturarem agora, terão vantagem competitiva.

              Quem tiver uma boa governança, contabilidade organizada e processos maduros terão mais facilidade para captar recursos, aprovar GERIC, estruturar projetos e navegar o novo cenário regulatório.

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